sexta-feira, agosto 06, 2010

Atracção sexual é maior entre os que apresentam semelhanças físicas

Um estudo realizado por dois psicólogos nos Estados Unidos pode acabar com a crença popular de que os opostos se atraem.

A investigação de Robert Chris Fraley, da Universidade de Illinois, e de Michael J. Marks, da Universidade do Novo México, revela que os indivíduos se sentem mais atraídos por quem partilham mais semelhanças. Mais inquietante ainda: pelos próprios pais.


Os investigadores fizeram grupos de estudo de estudantes para avaliarem o seu grau de atracção de vários rostos apresentados no computador.

Os resultados do estudo, publicado no Personality and Social Psychology Bulletin, mostram que ainda é cedo para dar por terminado o debate acerca dos mecanismos biológicos que evitam o incesto. Porém, será que a atracção pelos progenitores não pode estar relacionada com o facto de os alunos estarem mais familiarizados com os rostos dos seus pais?

Fraley explicou, à Folha de São Paulo, que esta relação seria “improvável”. “Não há motivo para achar que as pessoas do grupo de controlo seriam menos familiarizadas com os seus rostos do que as pessoas na condição experimental”.

Além disto, nem todas as pessoas gostam do rosto e outras acham-se belas. O investigador garante que o grupo de estudo era normal em termos de beleza, correspondente aos padrões americanos da mesma faixa etária. Contudo admite que “seria interessante determinar, numa pesquisa futura, se os sentimentos de auto-amor e auto-ódio moderam os efeitos que relatamos”.

Complexo de Édipo

Sigmund Freud contestou teoria de Westermarck
Sigmund Freud contestou teoria de Westermarck
Os resultados revelam uma nova versão do clássico conceito do complexo de Édipo de Freud, segundo o qual o filho teria atracção pela mãe e aversão pelo pai.

A aversão das relações sexuais entre pai e filha e mãe e filho resultaria de mecanismos inconscientes que avaliavam o grau de parentesco, como resultado da evolução biológica. Sabe-se que os filhos de uma relação incestuosa têm uma maior mortalidade. O sociólogo finlandês Edward Westermarck explicava, já em 1891, que a selecção natural de Darwin favorecia mecanismos psicológicos que levavam as pessoas a terem aversão sexual a familiares.

Uns anos mais tarde, em 1913, Freud explicava que as pessoas evitavam o incesto apenas porque mecanismos sociais de proibições.

Fraley e Marks apresentam um olhar alternativo quando afirmam que, se a percepção do parentesco é posta de lado, as pessoas acham mais atraentes as que lhes lembram os próprios pais. Acrescentam ainda que evitar o incesto surge de tabus reconhecidos.

Photoshop e tabus culturais

A primeira experiência incluiu a apresentação subliminar de uma foto do pai para as raparigas e da mãe para os rapazes. A segunda foi feita com imagens modificadas que incluíam partes do próprio rosto do aluno.

Numa terceira experiência, a semelhança familiar nas faces exibidas era constante mas os participantes eram informados, falsamente, que o próprio rosto estava incluído na imagem. Por sua vez, o grupo de controlo não tinha essa informação.

Robert Chris Fraley, psicólogo
Robert Chris Fraley, psicólogo
“Esta técnica permitiu-nos estudar a activação de tabus culturais que podem regular o desejo sexual”
, explicaram os autores no estudo.

De acordo com a teoria de Westermarck, os dois grupos deveriam ter resultados idênticos, já que o mecanismo de evitar o incesto seria inconsciente. Para os autores, o conhecimento consciente de que os rostos têm semelhanças genéticas deveria despertar aversão sexual, mesmo que não fosse verdade.

A verdade é que os estudantes acharam menos atraente o rosto quando suspeitavam de parentesco, mesmo quando este não existia na realidade.

Notícia de Ciência Hoje

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