segunda-feira, fevereiro 14, 2011

Australopithecus afarensis tinha o pé arqueado

Um osso de um pé de uma espécie de hominídeo de há 3,2 milhões de anos, à qual pertencia a famosa Lucy, uma antepassada do Homo sapiens, revela que a espécie andava bem sobre as pernas. Os resultados da descoberta são publicados hoje, na revista «Science».

Um trabalho de investigadores norte-americanos cita a forma de um osso do pé fossilizado encontrado na Etiópia demonstra que os Australopithecus afarensis tinham os pés arqueados como o homem moderno. O osso descoberto, em Hadar, é um metatarso, parte do pé situada entre o tarso e o dedo.
Para um dos autores da investigação, o paleontólogo William Kimbel, "o desenvolvimento de um pé arqueado assinala uma mudança fundamental na evolução da condição humana", já que representa "o desaparecimento da capacidade de uso do dedo grande do pé" por parte dos Australopithecus afarensis para "se pendurarem nos ramos".

"O que indica que tinham finalmente abandonado a vida nas árvores para viver no solo", sustentou. Com um pé arqueado, os Australopithecus afarensis podiam, sem problemas, explorar o campo e deixar a floresta em busca de alimento.

O Australopithecus afarensis viveu na África há mais de três milhões de anos e tinha cérebros menores e mandíbulas mais fortes que o homem moderno. Antes deles, registos fósseis revelaram que no Quénia e na Etiópia viveu o Australopithecus anamensis, há 4,2 milhões de anos.

Ainda anteriormente, o Ardipithecus ramidus, o mais antigo ancestral humano, vivia da Etiópia há 4,4 milhões de anos. Embora as espécies fossem bípedes, passavam a maior parte do tempo em árvores e os seus pés ainda tinham características mais semelhantes aos dos primatas como os chimpanzés.
Notícia de Ciência Hoje

sábado, fevereiro 12, 2011

Alimentação até aos três anos pode influenciar QI

A alimentação das crianças nos primeiros anos de vida pode afectar o desenvolvimento do seu quociente de inteligência (QI), revela um estudo publicado na revista científica "British Medical Journal".

Os investigadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, basearam o seu trabalho em dados do estudo ALSPAC, realizado com 14 mil crianças nascidas entre 1991 e 1992, e que faz um acompanhamento a longo prazo da saúde dos participantes.

Neste âmbito, os pais das crianças completaram questionários detalhados sobre o tipo de comida e bebida que os seus filhos consumiam aos três, quatro, sete e oito anos e meio. Depois disso, periodicamente, as crianças foram submetidas a testes de inteligência, segundo a escala de Wechsler.
Os resultados revelaram que aquelas cuja dieta era pouco saudável apresentaram um QI menor do que os que tinham uma alimentação equilibrada.

De acordo com os investigadores, os padrões de alimentação entre os quatro e os sete anos não tiveram impacto no nível de inteligência das crianças, mas apenas o tipo de dieta mantida até aos três anos. "Os efeitos cognitivos relacionados com os hábitos alimentares nos primeiros anos de vida podem persistir mesmo alterando a dieta", alertaram.

Apesar dos resultados obtidos neste estudo, os investigadores acreditam que serão necessários novos trabalhos para se perceber melhor os efeitos sobre a inteligência de determinados tipos de dieta em idades mais avançadas.
Notícia de Ciência Hoje

Nova técnica explica evolução das serpentes

Uma nova técnica com aplicação em fósseis ajuda a perceber como é que as serpentes deixaram de ter patas. A tecnologia utiliza raio-X para fazer a reconstrução dos fósseis em três dimensões foi especialmente desenvolvida para analisar amostras planas de tamanho grande. No entanto, é a primeira vez que é usada para estudar fósseis. O estudo vem publicado no «Journal of Vertebrate Paleontology».

O grupo internacional de investigadores, liderado por Alexandra Houssaye, investigadora do Museu Nacional d'Histoire Naturelle em Paris, França, conseguiu detectar uma segunda pata graças a este método. O membro, no fóssil de uma antiga serpente – a Eupodophis descouensi –, com 95 milhões de anos e encontrado há dez anos no Líbano, não era invisível à primeira vista.
A pata tem dois centímetros de longitude e esta unida à pélvis da serpente (que devia medir uns 50 centímetros ao todo). Para o estudo, usaram um potente raio-X, e a equipa incluiu ainda cientistas do Laboratório Europeu de Radiação Síncrotron (ESRF) em Grenoble, França, além do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha.

Até à data, foram encontradas muito poucas serpentes fossilizadas que conservem ossos e patas e, por isso, os paleontólogos consideram esta a chave para estudar estes exemplares.

Alexandra Houssaye, autora principal do estudo, sublinha que este estudo é importante para entender o grau de regressão dos membros, mas não pode ser determinado apenas pela pata visível, mas também por alguns pequenos ossos.

As imagens a 3D e a alta resolução revelam que a estrutura interna das patas é muito semelhante à dos actuais lagartos terrestres. Contudo, os dados obtidos serão combinados com outras investigações que estão a decorrer, no sentido de determinar as origens das serpentes no mar e na terra.
Noticia de Ciência Hoje

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Ciclo Teritórios de Fronteira




Irá decorrer às 17 horas do próximo dia 3 de Março de 2011 novo ciclo Territórios de Fronteira co-organizado pelo Grupo de Estudos em Evolução Humana (GEEVH), pelo Museu Nacional de Arqueologia (MNA) e pelo Núcleo de Arqueologia e Paleoecologia da Universidade do Algarve (NAP).

O ciclo inclui palestras de Catarina Tente (Docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) com As comunidades camponesas alto-medievais na bacia do Alto-Mondego; João Tereso (Doutorando em Biologia na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto) com A agricultura Romana no Norte de Portugal: o contributo de novos estudos de arqueobotânica; e Cleia Detry (pós-doutoranda no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa - UNIARQ)com A alimentação de Cristãos e Muçulmanos no Castelo de Palmela: uma perspectiva zooarqueológica.

Convidamo-vos todos a aparecer no MNA e assistir a este ciclo!

sábado, fevereiro 05, 2011

Museu Geológico expõe últimos cem milhões de anos de Lisboa

O “crocodilo de Chelas”, que viveu há 12 milhões de anos quando aquela zona da actual Lisboa era selva tropical, será um dos protagonistas de uma exposição que está a ser organizada, ainda sem data, pelo Museu Geológico.

Além da cabeça fossilizada do réptil gigante, vão integrar a mostra sobre os últimos cem milhões de anos da zona onde se ergue a capital portuguesa outros vestígios que comprovam que pela zona passearam-se antepassados dos actuais hipopótamos, zebras ou elefantes africanos.

Os “testemunhos” recolhidos pelos cientistas indicam que essa fauna vivia “contente” na região, diz a brincar o director do museu, o geólogo e professor universitário aposentado Miguel Ramalho.
Pedras que contam História

Ao olhar destreinado surge o que parecem ser apenas pedras, mas o enquadramento dado nas dezenas de expositores envidraçados permite ver os testemunhos dos últimos 600 milhões de anos de história do território chamado Portugal há uns escassos 900 anos.

No início da visita feita por ordem cronológica, a dimensão do tempo surge como um dos factores que mais impressionam numa ida ao museu. O vestígio mais antigo e conhecido em Portugal é uma pedra aparentemente vulgar vinda da Gronelândia, mas que terá 3800 milhões de anos, “mais dezena menos dezena de milhão”, indica Miguel Ramalho.

Dar a noção tempo não é tarefa fácil quando os números têm muitos zeros e deixa de ser perceptível para o comum dos visitantes dizer que um determinado fóssil tem 120 milhões de anos, como sucede com as primeiras plantas com flor conhecidas no mundo e encontradas em Portugal.

"Museu dos museus" existe há mais de 150 anos
Para facilitar, os geólogos criaram uma tabela em que equiparam a idade da Terra aos 12 meses do ano. E se os primeiros vestígios de vida no planeta surgiram em Março, já os primeiros animais, embora com partes mineralizadas, apenas ocorreram a 12 de Novembro.

Já os animais e plantas terrestres começaram a surgir nos finais de Novembro e Jesus Cristo terá nascido no dia 31 de Dezembro, às 23:59:46, quando apenas faltariam 14 segundos para comemorar a passagem de ano.

Há já mais de 150 anos que as duas compridas salas que serviam de dormitório aos frades do convento que existia no local passaram a resguardar o museu com a história do país contada através dos vestígios geológicos - fósseis ou até aparentes pedras vulgares.

A idade faz com que o edifício seja hoje designado por “museu dos museus”, por ser o espaço museológico que há mais tempo se mantém intocável no país, afirma Miguel Ramalho. “O espaço conserva muito da atmosfera do século XIX, coisa rara mesmo a nível europeu”, onde os museus científicos, de um modo geral, foram “transformados e descaracterizados”.
Notícia de Ciência Hoje

Alentejo acolhe Centro de Estudos Geológicos e Mineiros

Um Centro de Estudos Geológicos e Mineiros sobre a Faixa Piritosa Ibérica vai ser criado em Beja, num projecto que inclui uma litoteca, para arquivar “várias centenas de quilómetros” de amostras do subsolo já recolhidas, revelaram os promotores.

A iniciativa é do Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) e prevê um investimento perto dos 3,5 milhões de euros, a candidatar ao Programa Estratégico do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT).
O SRTT, que envolve um consórcio de 21 parceiros e cujo protocolo de financiamento já foi assinado, pretende investir 41,8 milhões de euros, dos quais 29,3 milhões são fundos comunitários, nas áreas da ciência e tecnologia no Alentejo e Lezíria do Tejo.

Aproveitando este programa, o LNEG, que “há muitos anos” ambicionava instalar no Alentejo uma litoteca com material da Faixa Piritosa Ibérica, vai agora candidatar o projecto do Centro de Estudos Geológicos e Mineiros.

“Temos outras litotecas, mas estão muito cheias e não dá para armazenar e acondicionar devidamente todas as amostras que já possuímos da Faixa Piritosa Ibérica”, disse hoje à Lusa Machado Leite, do conselho directivo do LNEG. Os testemunhos de sondagens desta zona com forte potencial mineiro, que se estende desde Espanha até ao Alentejo, já totalizam “várias centenas de quilómetros”.

“A Faixa Piritosa Ibérica é um alvo mineiro mundialmente reconhecido e de que Portugal beneficia há décadas”, realçou, aludindo às actuais minas de Neves Corvo (Castro Verde) e Aljustrel e aos antigos pólos mineiros de Lousal (Grândola) e S. Domingos (Mértola).

E especialmente quando as cotações de minério estão em alta, frisou, as amostras geológicas do subsolo detidas pelo LNEG “têm um valor incalculável” para os investidores do sector. “A consulta deste tipo de amostras que o LNEG disponibiliza permite às empresas desenvolverem o seu conhecimento, para aumentar a probabilidade de descoberta de uma nova mina. O facto de a informação estar disponível, diminui o risco para quem investe”, explicou Magalhães Leite.

Além da litoteca, o LNEG vai congregar no Centro de Estudos Geológicos e Mineiros o “património acumulado, ao longo dos anos, sobre a Faixa Piritosa Ibérica”, nomeadamente competência técnica e científica, mapas e cartas geológicas.

“Queremos criar condições para atrair massa técnica científica e tecnológica, juntando também parceiros do sector, a nível nacional e internacional, em torno do centro”, frisou Magalhães Leite.

O LNEG, que possui um pólo em Beja, a transferir para o futuro centro, tem por missão desenvolver conhecimento para a identificação, valorização e promoção económica da exploração dos recursos mineiros em Portugal.

O projecto do centro de Beja vai ser candidatado ao SRTT e, segundo Magalhães Leite, que disse confiar na sua aprovação, deverá estar pronto “até ao final de 2013”, quando termina o Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).
Notícia de Ciência Hoje

“Los símbolos de la prehistoria” de Raquel Lacalle



Fuente: Editorial Almuzara

“Los símbolos de la prehistoria” de Raquel Lacalle es el nuevo ensayo que la editorial Almuzara acaba publicar y en el que se aborda una interpretación de las manifestaciones artísticas del Paleolítico Superior y de las Culturas Megalíticas europeas como puerta de acceso al conocimiento de las creencias religiosas vigentes en la Prehistoria. Su lectura revela la naturaleza de la “primigenia religión”: unas creencias de carácter astral-naturalista, dirigidas a la Diosa Madre, Madre-creadora y Madre Naturaleza, y a los astros, codificados bajo formas animales. La dualidad que caracteriza al arte paleolítico, reflejada principalmente a través de la pareja caballo-bisonte/toro se entendería como una representación de la díada divina: el sol y la luna.

Por esta razón, las interpretaciones de los símbolos que estudia la autora contrastan con otras teorías tradicionales que entienden el arte simplemente como el reflejo de actividades mágicas dirigidas a facilitar la actividad de la caza, al no haberse contemplado ni estudiado la naturaleza simbólica de las representaciones. El interés de estas conclusiones radica, especialmente, en que habitualmente se consideraba que las religiones astrales surgían a partir del Neolítico, un hecho que desmonta la autora al considerar que no se había tenido en consideración que las formas animales del arte pleistocénico pudieran poseer un sentido simbólico.

Estos primitivos cultos impregnarán manifestaciones posteriores, manteniendo vivos muchos de sus elementos. Los símbolos de la Diosa, el caballo, el toro, el ciervo, la serpiente, volverán a reaparecer en culturas posteriores. Las religiones surgidas a partir del Holoceno reciben esta influencia, entre ellas la “religión megalítica”, que es receptora de buena parte de este simbolismo que surge por primera vez en las cavernas-santuarios paleolíticas. La herencia de esta “primigenia religión” se detectará en los principios constituyentes de múltiples religiones, así como en cuentos y leyendas populares.

Del análisis de conjunto se extrae la conclusión fundamental sobre el importante papel desempeñado por el culto a los astros en la génesis del pensamiento religioso, siendo el inspirador de imágenes e ideas míticas. Se entendería así que las antiguas creencias religiosas habrían surgido como consecuencia de la veneración de los fenómenos celestes. Los personajes de cuentos y leyendas serían vestigios de esta antigua concepción astral-mitológica del mundo.

Raquel Lacalle Rodríguez es doctora en Geografía e Historia por la Universidad de Sevilla en la especialidad de Prehistoria y Arqueología, licenciada por las especialidades de Historia del Arte y de Prehistoria y Arqueología. Investigadora en Bioarqueología (Paleoantropología) centra sus líneas de investigación en cuestiones referidas a los aspectos simbólicos del arte prehistórico y en la «Arqueología de la Muerte», a través del estudio antropológico de poblaciones prehistóricas e históricas. Es autora de infinidad de artículos y memorias científicas sobre estos temas.

Notícia Publicado por Almuzara