quinta-feira, dezembro 23, 2010

Muge em Debate





No próximo dia 7 de Janeiro irá ter lugar no Museu Geológico em Lisboa um encontro científico dedicado aos Concheiros de Muge. As comunicações são multidisciplinares e abordam por isso diversas temáticas que permitem um mais profundo conhecimento deste sítio ímpar no registo arqueológico português.

Desenho encontrado na Austrália pode ser o mais antigo do mundo Pintura de pássaros

Um antigo desenho indígena de dois pássaros extintos há 40 mil anos pode ser um dos mais antigos do mundo, afirmam cientistas australianos.

Arqueólogos acreditam que a pintura rupestre descoberta em um remoto planalto no Território do Norte, na Austrália, pode ter 40 mil anos de idade.

A pintura mostra dois pássaros gigantes que parecem um genyornis, um tipo de ave não voadora que habitou a Austrália e que, se acredita, teria sido extinta com o aparecimento do homem.

Se o desenho tiver sido produzido quando esta fauna ainda existia, como alguns especialistas acreditam, ele seria um dos desenhos rupestres mais antigos já encontrados.

Em tinta de cor ocre, a pintura foi descoberta sob uma prateleira de pedra sabão em Arnhem Land, ao leste de Darwin, onde a tradição artística indígena começou há milhares de anos.

A recente descoberta foi examinada pelo arqueólogo Ben Gunn, que afirma que, se a idade de 40 mil anos for confirmada, será um fato monumental.

“Se for confirmada ela terá pelo menos o dobro da idade de qualquer outra pintura rupestre cuja idade já tentou se identificar na Austrália”, disse ele.

“Então, o grau de sobrevivência desta pintura seria enorme se comparada à maioria das obras de arte indígenas já classificadas.”

O remoto local será escavado cuidadosamente e testado para que os cientistas tentem estabelecer a idade da pintura.

Ainda há dúvidas, entre especialistas, se a pintura sobreviveria tanto tempo nas duras condições tropicais do norte da Austrália.

Os arqueólogos, no entanto, se sentem energizados pela descoberta, afirma o correspondente da BBC em Sydney, Phil Mercer.

Eles acreditam que possa haver centenas de milhares de pinturas rupestres aborígenes ainda espalhadas e não descobertas pela Austrália.
Notícia de: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/06/100606_passarospintura_ba.shtml

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Nova espécie de lémure


2010-12-14


Lémure foi avistado pela primeira vez em 1995
O Madagáscar é conhecido por ser a única região do mundo onde há lémures. À lista de dezenas de espécies destes primatas lá existentes, foi adicionada outra que, embora esteja à espera de confirmação genética, os investigadores acreditam ser nova para a ciência.

O animal foi encontrado em Outubro na reserva da floresta protegida de Daraina, por biólogos da Conservation International. Russel Mittermeier, presidente desta organização, já tinha avistado este lémure em 1995, mas só este ano conseguiu confirmar a sua existência, enquanto filmava um documentário para a BBC Decade of Discovery. “Soube imediatamente que provavelmente esta era uma nova espécie para a ciência, mas não tive tempo de investigar na altura”, referiu.

As características deste lémure permitem incluí-lo no grupo Phaner. Apresenta listas negras sobre os olhos, pequenas dimensões e patas com dedos longos. Em contrapartida, a cor do pêlo é diferente dos seus semelhantes, assim como uma estrutura nunca observada que este tem sob a língua.

Russel Mittermeier regressou a Dairana este ano e começou a sua busca após o pôr-do-sol, uma vez que os lémures são mais activos durante a noite. Depois de avistá-lo e de conseguir tranquilizá-lo, foram recolhidas amostras de sangue a fim de averiguar a autenticidade da nova espécie. “A genética vai contar a história verdadeira”, assinalou Mittermeier.

O líder da expedição destacou que “esta é mais uma impressionante descoberta na ilha de Madagáscar, área prioritária em termos de biodiversidade e um dos lugares mais incríveis do planeta”. O biólogo frisou também que é “notável” que se continuem a encontrar novas espécies de lémure, sendo que esta, como se encontra numa área muito pequena, pode estar ameaçada de extinção.

Assim como os chimpanzés ou os gorilas, os lémures pertencem ao grupo dos prossímios, que evoluíram na Terra há 65 milhões de anos. No entanto estes pequenos primatas são endémicos do Madagáscar, pelo que são considerados os seus embaixadores da vida selvagem. Até agora eram conhecidas quatro espécies de lémures do grupo Phaner, podendo esta nova ser a quinta.

Caso tal se confirme, os investigadores já têm em mente a base do nome científico deste lémure: Fanamby, em homenagem à organização conservacionista que trabalha na floresta protegida de Daraina.

Notícia de Ciência Hoje

Reproduzir com vários machos enriquece espécies

2010-12-13

Peixes "guppy" praticam poliandria
As fêmeas que se reproduzem com vários machos enriquecem as espécies e tornam-nas mais adaptáveis às mudanças ambientais, revela um estudo coordenado por um cientista português, na Escócia.

Miguel Barbosa, biólogo especializado em animais marinhos, publicou em Novembro no "Journal of Evolutionary Biology" as conclusões de um estudo realizado com peixes tropicais de água doce "guppy" que muda a perspetiva científica sobre o papel do comportamento sexual das fêmeas na evolução.

"A ideia de que existe um macho ideal que as fêmeas procuram deixou de existir. Há vários e as fêmeas têm um papel vital", realçou, em declarações à agência Lusa.
Para o cientista, "estes resultados destroem o mito da fêmea submissa, que deixa de ser um veículo passivo e passa a ser crucial para o sucesso da sua própria reprodução e tem de ser considerada uma força relevante quando se estudam os processos evolutivos".

Estudando a reprodução em regime de poliandria (com vários machos diferentes), Miguel Barbosa descobriu que a espécie "guppy" ganha por nascerem "filhos mais variados". "Se nascerem filhos de pais diferentes, cada um vai competir para coisas diferentes. Os irmãos não competem entre si, o que vai aumentar o sucesso reprodutor no futuro", explicou.

Crias mais adaptáveis


Os peixes nascidos de mães que acasalaram com vários machos nasceram com mais cores, o que para os "guppy" é um indicador de atractibilidade. Além disso, refere o cientista, nascem crias "mais adaptáveis". Aliando isto às previsíveis alterações climáticas, a reprodução poliândrica torna-se "um processo potencialmente adaptativo para as alterações climáticas".

Miguel Barbosa tirou mestrado na Austrália e doutorou-se na Escócia
Miguel Barbosa tirou mestrado na Austrália e doutorou-se na Escócia
"Prevê-se que os ambientes serão mais variáveis, por isso o sucesso para sobreviver é ter filhos diferentes. Isto pode ser uma estratégia de sucesso e muda a nossa visão sobre a selecção sexual",
indicou.

A prática de poliandria na espécie "guppy" pode também justificar o facto de este tipo de peixe, originário do arquipélago de Trinidad e Tobago, ser um dos mais disseminados peixes de água doce no mundo inteiro, com muita resistência.

Segundo Miguel Barbosa, actualmente na Universidade de St. Andrews (Escócia), uma das aplicações práticas do resultado da sua investigação é "maximizar" o potencial de reprodução de peixes em aquacultura, inseminando artificialmente fêmeas com esperma de vários machos para produzir ninhadas com mais diversidade.

Assim será possível obter não só peixes mais diversos como em maior quantidade e sem recorrer a químicos, o que significará mais rendimento, menos gastos e alimentos mais saudáveis.
Os resultados obtidos com os "guppies" podem ser extrapolados para outras espécies, inclusivamente para mamíferos e para os seres humanos, afirma Miguel Barbosa. Olhando por exemplo para os golfinhos, o biólogo afirma que "cada vez é mais comum" as fêmeas procurarem vários machos para acasalar.

Os próximos passos nesta investigação ligam-se com a genética e Miguel Barbosa quer "começar a trabalhar com os genes nestes animais em diferentes condições, saber que consequências moleculares tem a poliandria e se há um gene prevalente que a influencie".

Notícia de Ciência Hoje

Importância da cor para reconhecimento de objectos

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Activação cerebral induzida por objectos a cores (A)
e a preto e branco (B)
O Grupo de Neurociências Cognitivas da Universidade do Algarve conseguiu observar a importância da cor nos mecanismos cerebrais que permitem reconhecer objectos, com recurso a técnicas de imagiologia de ponta. Este estudo já foi alvo de interesse pela revista científica internacional «The Open Neuroimaging Journal».

A investigação, liderada por Inês Bramão, partiu do interesse em se conseguir “perceber se o cérebro é capaz de distinguir objectos naturais (como uma rosas) de outros não naturais (um blusa) pela cor e se responde da mesma forma às duas categorias”, explica.
A investigadora afirma ao «Ciência Hoje» que “sim”, de facto “existe esta distinção” no cérebro – o que tem implicações no processo evolutivo. A cor é determinante para a identificação. As áreas do cérebro responsáveis pelo processamento visual da cor foram identificadas quando a equipa decidiu mapeou a actividade cerebral de alunos expostos a imagens de objectos a cores e a preto e branco. E concluíram, nos dois casos, que a cor estimula a mesma actividade cerebral no reconhecimento de objectos naturais – uma laranja ou uma rosa, por exemplo – bem como no reconhecimento de objectos não naturais – um martelo ou uma cadeira.

A influência da cor no reconhecimento é um tema em debate no campo das Neurociências Cognitivas. O cérebro humano está equipado com mecanismos que permitem a visão a cores, mas os benefícios funcionais desta visão ainda não são totalmente conhecidos.

“Esta discussão é importante, não só pelas vantagens que poderá trazer para conhecimento sobre a cognição visual, mas também pelas implicações que podem advir para o tratamento de doentes com lesão cerebral e perturbações no reconhecimento visual de objectos”, continua a investigadora.

Recorde-se que uma das avaliações psicológicas comuns em pessoas com este tipo de lesão é precisamente o reconhecimento de objectos. No caso de não naturais, “a cor ajuda a segregar a imagem do fundo e a extrair-lhe uma forma”, assinalou ainda e conclui que “em objectos naturais activa o significado”.

Ressonância magnética funcional

Incorporado num projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, o estudo resultou da primeira experiência em ressonância magnética funcional, uma das mais recentes tecnologias de imagiologia, fruto da parceira estabelecida entre este grupo de investigação e a Clínica de Imagiologia Fernando Sancho, em Faro, para a utilização do equipamento para fins científicos.

O Grupo de Neurociências Cognitivas da Universidade do Algarve desenvolveu este estudo em parceria com os prestigiados Karolinska Institutet, na Suécia, e Donders Centre for Cognitive Neuroimaging, na Holanda. Além de Inês Bramão, estiveram envolvidos no estudo os investigadores Alexandra Reis, Luís Faísca, Karl Magnus Petersson, Christian Forkstam e os técnicos da Clínica Fernando Sancho Lambertine Tackenberg, Paulo Tinoco e Vasco Câmara Pires, director clínico.

Notícia de Ciência Hoje